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Dalit, Harijan

Dalit, Harijan

Até bem pouco tempo algumas pessoas nunca tinham ouvido a expressão Dalit. Menos ainda conhecem a palavra Harijan. Esta última significa “povo de deus”, e não foi “criada” por um cristão. É o nome que o estadista indiano Ghandi escolheu para determinar um grupo de 160 milhões de pessoas na populosa Índia : os intocáveis. Apesar de abolido oficialmente desde 1950, linchamentos de intocáveis, ou dalits – oprimidos, como eles preferem se denominar por achar que harijan é uma palavra que traz uma conotação de pena – continuam a acontecer até hoje.

Há quem defenda o sistema de castas da religião Hindu, alegando razões culturais, políticas e sobretudo econômicas, para a manutenção do sistema. Algum tempo atrás uma polêmica discussão tomou lugar na internet entre algumas agências missionárias e um site mantido por um cristão. Num boletim de oração a agência compartilhava sobre infanticídios que ainda ocorrem nestas isoladas localidades do mundo, sob a cobertura de sacrifício religioso. O pedido de oração foi traduzido para vários idiomas, inclusive o português por vários missionários ao redor do mundo. O site mantido pelo irmão iniciou uma cruzada de averiguação da verdade, afirmando que tais práticas não acontecem mais em nossos dias, inclusive, relatando à embaixada Indiana o conteúdo dos boletins de oração. A embaixada, claro, negou todos os fatos.

Para quem não acredita em tais notícias, em reportagem publicada pela National Geographic Brasil (http://viajeaqui NULL.abril NULL.com NULL.br/ng/anteriores/2003 NULL.shtml) , Tom O’neill, fazem uma alarmante descrição do sistema de castas, e sua poderosa influência na cultura local:

Nascer hindu na Índia é entrar para o sistema de castas, uma das mais antigas formas de estratificação ainda em vigor. Arraigado na sociedade há 1,5 mil anos, o sistema segue um preceito básico: todos são criados desiguais. Esta hierarquização da sociedade Hindu originou-se da uma lenda na qual os quatro principais grupos, ou varnas, emergem de um ser primordial. Da boca, v6em os brâmanes – sacerdotes e mestres. Dos braços, os xátrias – governantes e soldados. Das coxas, os vaixá -mercadores e comerciantes – e, dos pés os sudras – trabalhadores braçais. Cada varna, por sua vez, abrange centenas de castas e subcastas hereditárias,cada qual com sua hierarquia própria. Um quinto grupo consiste nas pessoas que são “achuta”, ou intocáveis. Não vieram do ser primordial, são os excluídos, demasiadamente impuros para classificarem-se como seres dignos. (…) Os intocáveis são evitados, insultados, proibidos de freqüentar templos e casa de castas superiores, obrigados a comer em utensílios separados em lugares públicos, e em casos extremos mas não incomuns, são estuprados, queimados, linchados e baleados. O antigo sistema de crenças prepondera sobre a lei moderna. Um pai ou uma mãe intocável gera filhos intocáveis, marcados como impuros desde o momento em que começam a respirar. Mas eles não têm aparência diferente da dos outros indianos. Sua pele é da mesma cor. Não andam esfarrapados, não são cobertos de feridas. Andam pelas mesmas ruas e freqüentam as mesmas escolas. Mas apesar destes sinais exteriores de normalidade, os intocáveis não precisam de nenhum sinal para anunciar a sua condição. Nome de família, endereço da aldeia, linguagem do corpo – tudo fornece pistas. O mais revelador porém é a ocupação.

Todos os trabalhos que não são considerados “limpos” pelas outras castas são realizados pelos intocáveis. São atividades que em geral requerem contato físico com sangue e excrementos humanos. Coveiros ou cremadores de corpos, curtidores de couro, parteiras, garis, são atividades comuns reservadas a eles. Mas mesmo aqueles que trabalham em outras atividades “limpas”, principalmente agricultura, são considerados impuros, e são por isto mal remunerados.

Claro, que devemos salientar que os intocáveis tem conseguido progressos com o passar dos anos, principalmente na esfera pública. Antes da constituição de 1950, eles eram obrigados a usar sinos para alertar sobre a sua aproximação, e carregavam baldes para não contaminar o chão ao cuspir. Não podiam freqüentar escolas nem sentar em bancos próximos a alguém de uma casta superior. Se a sombra de um deles tocasse alguém de uma casta superior, deveriam ser espancados. A constituição definiu um sistema de cotas de 15% para cargos federais, estaduais e municipais (aldeias), serviços públicos, e universidades. Apesar dos grupos e movimentos modernos que lutam contra a discriminação e o infanticídio, na Índia rural, os bebês nascem pelas mãos de parteiras intocáveis, pois o contato com sangue é considerado impureza. Estas freqüentemente, ainda recebem um adicional para matar as meninas.

Entretanto, o sistema de castas tem o seu próprio código, redigido nos últimos 2000 anos pelos sacerdotes brâmanes. São as Leis de Manu (http://pt NULL.wikipedia NULL.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Manu), um conjunto de normas que determinam o que cada varna deve comer, com quem casar, como se manter limpo e a quem evitar, como trabalhar. Os Sacerdotes nunca devem ter contato com intocáveis. É Manu quem determina que contato com os mortos depois das cerimônias fúnebres trás contaminação, ficando esta atividade reservada aos intocáveis que trabalham nas margens do Rio Ganges, rio sagrado para os hindus. A tradição não permite também mulheres em cerimônias fúnebres porque estas podem chorar – e as lágrimas que caem de seus olhos são consideradas poluentes, como todo e qualquer líquido de seu corpo.

Gandhi, o estadista quase deificado, é considerado um dos precursores das campanhas para combater o conceito de intocabilidade, e, ironicamente, ao mesmo tempo é culpado pela sua manutenção. Isto acontece porque muito embora tenha sido Ele quem deu um novo nome aos intocáveis “harijan”, fundou uma comunidade “ashram” em Ahmadabad em 1915 onde recebeu uma família de Intocáveis e logo em seguida adotou uma filha intocável daquela família, sua preocupação na manutenção da fé hindu impediu que maiores avanços fossem feitos, pois o sistema de castas está enraizado na mesma. Gandhi era um nacionalista. Seu desejo por independência e liberdade passava pela rejeição de tudo que fosse opressor e imperialista, inclusive qualquer modelo religioso que não fosse o de seu próprio povo. A tradição amargamente conta que em sua juventude o estadista tentou visitar uma igreja cristã num bairro de maioria britânica, mas foi impedido de entrar no santuário pelo oficial da igreja na porta recomendando-lhe que procurasse um igreja para indianos. O jovem foi embora e nunca mais entrou em igreja nenhum. Se é verdadeira ou não a narrativa, o fato é que a mesma tradição atribui ao próprio Gandhi a afirmação: “O cristianismo seria perfeito, não fossem os cristãos”

Quem sabe por causa disto, ele procurou impedir a atuação de um homem chamado Bhimrao Rami Ambedkar. Um dos principais redatores da constituição Indiana, escritor e também intocável, nasceu em 1891 na casta dos mahars, servidores domésticos. Aluno brilhante, através de bolsas de estudos, obteve graus de doutor nos Estados Unidos e Inglaterra, retornando para Bombaim – atual Mumbai – em 1923, onde começou a trabalhar como advogado. Ele tornou-se porta-voz da causa dos intocáveis, e em certa ocasião, encerrou um comício de forma desafiadora queimando um exemplar das Leis de Manu. Ele queria a emancipação radical da vida civil do alicerce religioso. Sua militância começou a dar mostras de sucesso, quando o governo colonial britânico deu atenção às suas reivindicações permitindo participação das castas inferiores no sistema político, e mostrando-se aberto a aceitar as outras propostas de mudança. Entretanto, neste ponto Gandhi fez oposição a Ambedkar, receando que a intervenção política na situação das castas viesse a destruir o hinduísmo. Em 1932 quando o governo estava próximo a ceder, Gandhi iniciou sua “greve de fome até a morte”. Como o povo o seguia, e o líder ficava cada vez mais fraco, Ambedkar não teve alternativa senão recuar. Ele conseguiu os direitos que hoje a constituição garante, mas a campanha de Gandhi impediu uma mudança radical no pais.

Em 1956 Ambedkar, percebendo-se incapaz de erradicar o sistema de castas da religião Hindu, decidiu abandonar a religião, convertendo-se ao budismo. Centenas de milhares de intocáveis seguiram seu exemplo. Em 04 de novembro de 2002 o fato repetiu-se quando lideres intocáveis proclamaram que estariam deixando o Hinduísmo num grande ato público. Agências de notícias, informaram que um milhão de intocáveis eram esperados para reunião. Entretanto, estradas foram bloqueadas a reunião congregou um número muito menor, que “converteu-se” ao budismo. Meses depois, intocáveis reuniram-se com pastores evangélicos e divulgaram que estariam aceitando a Jesus como salvador. Conversões em massa, embora populares, ainda são situações atípicas a serem observadas cautelosamente.

Muito embora o governo Indiano ainda faça lobby evitando exposição sobre o assunto, as castas são uma desconfortante realidade inegável. Num aspecto Ambekar e Gandhi estavam certos : o primeiro sabia que somente uma radical mudança de mente, poderia resolver esta questão para o povo. O segundo sabia que uma mudança radical exigiria o abandono do modelo religioso.

Mas imaginem como tudo poderia ter sido diferente, se aquele jovem Gandhi tivesse oportunidade de entrar naquela igreja. Imaginem se ele pudesse ter conhecido a Jesus. Quem sabe hoje,o país seria diferente. Quem sabe ?…
Ainda hoje você pode orar para que a população hindu ao redor do mundo tenha oportunidade de entender esta necessidade de mudança radical que apenas Jesus Cristo pode trazer-lhes. Assim, e só assim os Dalit deixarão de ser oprimidos, para serem de fato Harijan, povo de Deus.

Fontes :
National Geographic Brasil, Junho de 2003
Boletins de Intercessão

Publicado originalmente em www.estevam.org (http://www NULL.estevam NULL.org/nao-alcancados/dalit-harijandalit-harijan)

Em JOCUM desde 1996, é casado com Carmen e pai do pequeno Heitor. Está envolvido em vários projetos de Comunicação e ao lado de sua familia trabalha na Equipe Global do CENTRO GENESIS.

19 Comentários para “Dalit, Harijan”

  • Josué disse:

    A tentativa de Ambedkar era válida e legítima numa sociedade como a nossa, mas na Índia esta seria uma controvérsia similar à do aborto em nossa sociedade.
    Digo isso no sentido de ir contra todos os dogmas religiosos de uma sociedade inteira, referente a como as pessoas concebem a “vida”, a “existência”.
    A ciência e a Natureza dizem uma coisa, a sociedade e a religião dizem outra.Você gostaria que o aborto fosse legalizado? Se sim este artigo está equivocado.
    Acredito que um movimento popular tão abrangente e de interesses tão sólidos e pacíficos, como O FIM DO COLONIALISMO BRITÂNICO(que este texto coloca completamente fora do contexto)
    legitimam a atitude de Gandhi, que não defendeu as castas, mas as estruturas de uma sociedade inteira que lutava para não ser englobada pelo modo de vida britânico.
    Se Gandhi se converte-se não faria nada disso, e provavelmente teríamos hoje alguns milhões de pessaos a mais passando fome.

  • Adriano (Autor) disse:

    Olá Josué,

    Obrigado pela visita e comentário.

    Não vejo em que tenha colocado fora de contexto o movimento de Gandhi, haja visto que (como você mesmo disse) ele defendeu a manutenção nacionalista (e com isto, também as castas) em nome da sobrevivência do sistema diante do colonialismo Britânico.

    O que você esta afirmando é que se a independencia Indiana tinha como preço a manutenção da subserviência cultural, que se mantenha o ciclo de opressão. Desculpe, não acredito neste mantra pseudo-libertário.
    O que o texto trata é que não é possível desfrutar verdadeira transformação numa sociedade sem mudança de cosmovisão.

    Se um Ghandi cristão teria feito o mesmo, não posso lhe afirmar. Talvez não. Mas e se tivesse feito?

    Abraços

  • Josué disse:

    Veja bem, sua religião faz parte de uma cosmovisão, a Ocidental no caso. Essa cosmovisão é sim influenciada pela forma do sistema político ou do Estado, porém nota-se comparando diversas regiões do globo(principalmente as regiões em que desenvolveu-se o capitalismo e nossa ideologia “moderna”, ou seja, as regiões em que este modelo já foi consolidado) que o Estado se formou em relação à esta cosmovisão, ou seja, em cada lugar ele se adaptou e se adapta à visão de mundo de cada povo.Este Estado sempre é interpretado a partir destas cosmologias específicas. Mudar a cosmovisão de um povo não é simples, e não se faz simplesmente por coerção. Se eu considero uma opressão a posição da igreja católica com relação a camisinha, não posso simplesmente obrigar as pessoas à usá-la, não posso mudar toda a concepção de mundo que alguém tem. Se você entende seu mundo pela religião, não questione a dos outros. Por isso, no caso seria mais ponderado, a priori, constituir um Estado pertinente à sua própria sociedade, e não uma entidade completamente externa e arbitrária, que em nada reflete a estrutura de sua sociedade. O que você defende é a aculturação de um povo, mas te entendo, pois este é um mal comum, eu mesmo gostaria de te aculturar. Não defendo um ciclo de opressão, defendo uma cultura, quem defende um ciclo de opressão é o senhor, afinal de contas os colonizadores também são opressores(você gostaria de ser colonizado por indianos?). Opressão não acaba com opressão, e acredito que esta seja a lição mais importante de Gandhi. Não sou pseudo-libertário, apenas defendo que mudanças drásticas deste tipo numa sociedade(que coloca o Estado completamente contra a “existência” das pessoas) nunca vai produzir o resultado que ser quer obter. Espero sua resposta hoje, pois amanhã continuarei minha argumentação por falta de tempo.
    Lhe indico leituras sobre etnocentrismo, aculturação, identidade cultural e nacional, antropologia e política em geral.
    Se Gandhi se convertesse ninguém o seguiria, e nosso sistema de produção que mais produz desigualdade do que desenvolvimento provavelmente tornaria a distância ainda maior entre as castas(que talvez não mais existissem).
    Obrigado.
    obrigado

  • Josué disse:

    Perdoe os erros de português, não tenho muito tempo para escrever, e muito menos para revisar.

  • Adriano Estevam (http://www NULL.estevam NULL.org) (Autor) disse:

    Olá novamente Josué,

    Conversemos com calma então. Cada povo é o reflexo de sua cosmovisão. Todo o restante é moldado a partir desta. Você é a sua cosmovisão. Entretanto, religião não é apenas uma parte da cosmovisão de um povo, mas sim o conjunto de principais fundamentos desta. Você tem a cara do Deus que “adora”. Se Seu deus é impiedoso, você também será. Se é barganhador e corrupto, vc também será. Se é honesto e íntegro, você refletirá o mesmo comportamento. Mesmo que você seja ateu, o seu senso de valores é definido pelas suas convicções religiosas.
    Eu não estou tratando de aculturação, ou imposição de uma nova cultura, mas sim de mudança na visão do cosmos de uma etnia, na definição de quais são os valores fundamentais de um povo.
    Tomando a própria Índia como exemplo, até o sec. 19 era comum queimar as viúvas ainda vivas na mesma pira que seus falecidos maridos estavam sendo cremados. Você propõe que o Estado Indiano moderno continue com esta prática em nome da manutenção da cultura milenar de um povo? Um dos responsáveis pela aprovação da Lei que definitivamente baniu a prática foi um ocidental, William Carey, missionário cristão. Por que ele se opôs a prática? Porque segundo sua cosmovisão, a vida de uma mulher tinha um valor diferente. E perceba que não afirmo que mudar a cosmovisão de um povo seja tarefa simples. Afirmo contudo, que certas mudanças são absolutamente necessárias, e diria fundamentais para garantir a preservação do próprio povo.
    E por fim, se Gandhi fosse um cristão, talvez fosse tão seguido quando outros líderes que a história conheceu. Eu poderia citar Calvino na Suíça, Hans Christian na Noruega, Benjamin Franklin, e Luther King na América entre outros. Todos líderes, todos cristãos, e todos responsáveis ou fortemente ligados a grandes mudanças em seus países.

    Abraços pra você.

  • Josué disse:

    Visto seu comentário, posso ter certeza que você não seguiu minhas recomendações de leitura.
    A primeira coisa que você fez na sua resposta foi legitimar a Inquisição, além de julgar outras religiões pelos dogmas da sua própria. Seu deus não é impiedoso, mesmo assim produziu pessoas impiedosas, produziu Hitlers, Sarneys, Bushs e pastores que usam o dízimo de muitas pessoas que mal tem o que comer para comprar iates e fazer viagens internacionais. Se Deus tudo criou e tudo sabe, seu deus também é impiedoso e cruel. Veja bem, existem deuses que são corruptos e impiedosos e isso não torna as pessoas de tais religiões assim. Zeus era impiedoso, mas isso não tornou os atenienses frios e impiedosos(menos que nós, pelo menos: aposto que eles não tinham bombas atômicas por exemplo). Se todos tivessem “a cara” do deus que adoram, não precisaríamos de juízes ou policiais em qualquer sociedade cristã. Por isso é chamado de DEUS, porque ninguém nunca será como ele, ele transcende isto(a não ser no budismo, mas a explicação não vem ao caso). Além disso, a cosmovisão de um povo(ou sua religião, como preferir) não se resume a um deus: se tirarmos todos os dogmas católicos e a bíblia, o deus que sobrar não vai representar nada.DEUS não é pensado em todo lugar como o sujeito que criou os homens à sua imagem e semelhança.
    Se seguisse minhas indicações não usaria o termo ETNIA.Se a cultura reflete a cosmovisão de um povo(ou é criada por ela) você de fato defende a aculturação. Não defendo a chacina de viuvas ou o infanticídio(acho que vc ainda não notou isto), mas tenho que dizer que “preservar o próprio povo” não cabe ao caso. Quando você impõe valores completamente opostos ao que seriam os valores universais de uma sociedade específica, o resultado mais provável(ver levantamentos históricos na maioria das culturas colonizadas pelos europeus e mesmo no Brasil mais discretamente)é um contramovimento extremista. O mais comum nestes movimentos é uma retomada da tradição, ou criação de novas tradições. O perigo em impôr estes tipos de medidas tão valorosas para o puro e maravilhoso povo cristão é criar justamente seu oposto, seja no costume pertinente, seja em outros. Sinceramente, com relação às viúvas eu apóio a tomada de iniciativa(que na verdade deveria partir de indianos, não de estrangeiros), porém o sistema de castas(para você que leu apenas o National Geographic e assistiu “Caminho das Índias”) é siplesmente a BASE de toda a sociedade deles. Não tente fugir do termo “aculturação” quando a cada palavra você a deixa mais implícita(não sei se você está querendo legitimar as missões de sua instituição com índigenas brasileiros), afinal você quer acabar com UMA RELIGIÃO. ADAPTAÇÃO. Já ouviu falar? com o tempo e o contato conosco, a estrutura de sua sociedade vai se adaptar à globalização, o que não costuma demorar muito. Forçando a barra você apenas atrasa esta assimilação, apenas dá mais motivos para eles se reunirem em volta de suas tradições, dá mais força aos movimentos de massa contra suas imposições arbitrárias(para eles).
    Você não quer garantir a preservação do próprio povo, você quer OUTRO povo.
    Com certeza não seria, pois estamos tratando da ÍNDIA caso não tenha reparado.
    Acho importante também você notar a discrepância entre países orientais e ocidentais…todos líderes, todos cristãos, no ocidente.
    Saia da sua caixinha(não tenha medo de virar ateu, você pode continuar acreditando na sua religião se fizer as adaptações necessárias).
    Lhe indico leituras mais específicas sobre o sistema de castas para entender melhor o que ele realmente significa e representa para esse povo, porém para entender você tem que tirar sua máscara de cristão por alguns instantes, se não só vai enxergar injustiça e irracionalidade(assim como eles devem enxergar muito disso em nós).
    Obrigado e um efusivo abraço

  • Adriano (http://www NULL.estevam NULL.org) (Autor) disse:

    Querido Josué.

    Para quem não tem tempo de escrever e revisar, você escreve bastante =).

    Novamente, não vejo em que tenha legitimado a inquisição. Aliás o seu argumento revela uma lógica interessante. O meu deus não é impiedoso, MAS produziu Hitlers e outros. Ora, Ele também produziu Madre Tereza? Ou ela foi gerada por combustão espontânea? Tê-la “produzido” torna então este deus impiedoso em repentinamente longânimo? E o que torna os “atenienses” (seriam os espartanos a quem você se refere?) menos frios e cruéis que nós é não terem usado uma bomba atômica? E eles não tinham? =)

    O que afirmo, e você pode concordar ou não, é que as pessoas são o reflexo de suas convicções religiosas, do seu sistema de crenças. E são porque escolhem ser. Para comprovar isto olhe para os fatos ao seu redor. Não sei o quanto você conhece a respeito de DEUS, segundo a ótica dá fé cristã, mas uma sociedade cristã não é uma sociedade sem lei. Muito pelo contrário, Deus é amor, o verdadeiro amor estabelece limites para a própria proteção do ser amado. Neste ponto eu é que lhe recomendo a leitura: da Bíblia, e de gente como Max Weber, Francis Shaeffer, Darow Miller e Don Richardson, entre outros.

    Um exemplo controverso, porém simples é: Pense numa República Democrática Islâmica. Não apenas no nome, mas uma república onde homens e mulheres tenham legalmente direitos iguais (trabalho, voto e etc.) e onde haja liberdade de credo e culto religioso. Achou achou alguma? Duvido, pois não existe tal estado. Nem a Turquia agrega tais características. Agora pergunte-se porque? Pelo simples fato que Allah não é democrático. Aliás até o nosso machismo latino americano pode ter interessantes raízes profundas no fundamentalismo islâmico, mesmo que nominalmente ainda sejamos hoje um continente católico.

    É exatamente o fator, segundo a ótica da fé cristã, de o homem ter sido criado a imagem e semelhança de Deus, que agrega valor intrínseco ao Homem. Valor este não adquirido por qualquer cosia que possa fazer ou comprar, mas outorgado por criação. É enxergar DEUS um no outro que nos faz ver o universo de outra maneira, onde você é portador de uma valor imensurável, e digno de respeito, cuidado e apreciação, por quem você é. É isto que torna a vida um valor universal.

    Você não está entendendo corretamente minha argumentação. De fato, não sabe sequer quem sou. Nunca assisti “caminho das indias” apesar de saber do que se trata. Este artigo por exemplo, foi escrito em 2003. Não moro no Brasil. Conheço a Índia não de apenas ler a respeito, mas de experimentar de perto o povo, a cultura e a língua. Eu falo não do alto de minha observação, mas do intimo de minha experiência. Mas, respeitosamente, tenho a IMPRESSÃO de que você sim, era espectador de caminho das Indias, e de que nunca colocou seus pés em terreno Indiano. Estou correto?

    Por fim, meu amigo, o que afirmo, é que EU acredito que Deus criou todas as Culturas, toda a diversidade, todo o ethos. Mas acredito que Ele não criou robôs. Ele deu ao Homem a capacidade de escolher, e a humanidade escolheu errado. Cada cultura acumulou desta forma ao longo da história elementos bons e outros ruins, alguns até milenares. Acredito que tudo que é bom, não para o ocidente, mas para o próprio povo, deve ser preservado. Mas tudo que é ruim deve ser avaliado e abandonado sistematicamente. Isto é parte do advento da evolução social de um povo. Simples assim. Isto não acontece da noite para o dia, e é um caminho redentor possível que garantirá, como disse, a sobrevivência do próprio povo. Não um outro povo, como você afirmou, mas a verdadeira identidade do povo, esquecida após anos e anos de práticas equivocadas.

    Abraços pra você.

  • Carlos Marques disse:

    Bom, pelo que li aqui, então que viva a aculturação, que viva a inquisição e que viva a intolerância religiosa.
    A partir do momento em que você queira destruir os traços de uma cultura, você não está sendo menos cruel com um povo do que os que você acusa meu caro.
    Como disse Nietche, o único cristão morreu na cruz, já que sempre que vejo “missões” como esta, como uma desculpa para angariar mais e mais seguidores de uma determinada seita cristã. Com isso em vista, não vejo esta como melhor em termos de intenções do que os cruzados, ou que os guerreiros islâmicos durante o século VIII.
    E o estranho é você acusar os islâmicos de serem machistas, e colocar uma determinada suspeita sobre o machismo latino americano em cima deles, sendo que, a igreja cristã é machista em sua essência. No Corão não está escrito que uma mulher não pode lecionar ou discutir com um homem, e na bíblia que você segue?

  • Josué disse:

    Meu amigo, quando provoquei sua religião você se exaltou(como devem ter se exaltado os indianos).
    Peço que construa argumentos lógicos e não me apresente esta retórica metafísica, pois você ainda não quebrou meus argumentos.
    Como pude observar você ainda não leu minhas indicações(que são pertinentes ao caso, ao contrário das suas). Não deves morar na Índia e olhar para eles como cristão, mas sim como alienígena. O povo brasileiro vê de perto a corrupção, mas mesmo assim não enxerga o processo que a produz.
    Não li tanto sobre a Índia(mesmo assim, provavelmente mais que você), mas li bastante sobre cultura, sobre religião, sobre sociedade, etc.
    Não perderei tantas linhas contra-argumentando pois não há necessidade, você não quebrou meu ponto de vista.
    Se vocês são os donos da verdade universal(ou seja, do que é bom para o povo em geral) e do deus que indica tudo o que é bom e correto, peço que me diga o que é realmente bom para “o povo”. Peço também que me diga porquê você deixa de lado todas as diferenças entre os povos e suas culturas. Também peço que me explique pq todas as culturas tem que ter os mesmos valores que a sua.
    Construa um argumento convincente e de acordo com as regras da LÓGICA que acreditarei em você. Leve em conta que “evolução social” é bastante controverso, e você está afirmando que continuando desta forma um dia o próprio povo da Índia “acabaria”.
    Já que sabe tudo que é ruim(e que deve ser abandonado sistematicamente)
    peço que me responda o que está errado, principalmente com relação ao aborto, à camisinha, ao sexo,vestimentas,comportamentos, tradições, religião, pena de morte, corporativismo, homossexualismo, pena de morte, racismo, xenofobia, etc.
    Muito obrigado. Estude.

  • Adriano (http://www NULL.estevam NULL.org) (Autor) disse:

    Olá Carlos,

    Obrigado pela visita e comentário.
    Bom, cada um dá vivas ao que bem entende, mas isto não muda o que é certo ou errado. A verdade é constante =).

    Se me permite ser bem sincero, este mantra de intolerância é muito engraçado. No texto e nos comentário eu trato de argumentos e fatos. Se você tem argumentos e fatos que corroboram seu pensamento, sou todo ouvidos.

    Do contrário, citar Nietzsche pode até parecer bacana, mas acrescenta nada.

    E sobre a minha suposta suspeita de acusação. Você poderia me dizer na Bíblia onde isto esta escrito e em qual contexto? =) Talvez indo lá pra me responder, você gaste algum tempo entendendo o que de fato está escrito…=)E sim, eu luto diariamente para seguir o que a Bíblia me ensina. E a chave hermenêutica para entendê-la é Jesus Cristo.

    A fé Cristã não é machista.Homem e mulher foram criados a imagem de Deus.Ambos. Mas, uma rápida revisão da história da chegada do Cristianismo na América revela de onde estas coisas vieram.Fato.

    Abraços,

  • Josué disse:

    A propósito:
    Mande um e-mail para a secretaria de cultura da Índia com seu nome e endereço, argumentando sobre seu ponto de vista, só não se esqueça de mencionar que você considera este tipo de prática(castas) equivocadas.

  • Josué disse:

    Mulheres nada ou pouco opinam na bíblia.
    A Bíblia não foi escrita por deus ou por jesus cristo, mas em sua maior parte por bispos num período bem posterior à vida deste.
    Vou tentar escrever um livro de receitas para você seguir também, seja bem-vindo à realidade.

  • Josué disse:

    A ética protestante realmente não é nada ética

  • Josué disse:

    Você nem ao menos falou a verdade em seus argumentos(deus não gostaria que você falasse a verdade?).

  • Adriano (http://www NULL.estevam NULL.org) (Autor) disse:

    Querido Josué,

    Do que você está falando? O sistema de castas foi legalmente proibido a décadas.
    O que discutimos aqui não é a legalidade, e sim a manutenção da mentalidade.

    Se você de fato já leu mais do que eu sobre a Índia, esta informação lhe passou despercebida.=)

    Abraços,

  • Adriano (http://www NULL.estevam NULL.org) (Autor) disse:

    Oi Josué,

    Eu não pretendo quebrar seus argumentos, não pretendo convencer você de nada. Eu disse que “você pode concordar ou não”. Mesmo porque, se me permite dizer, você apresentou poucos. Escreveste bastante, mas apenas para me acusar de aculturação, intolerância etc.

    Penso que respondi o que era pertinente, logicamente. Embora você chame alguns destes de “retórica metafísica”, eu não vejo como o exemplo da República Islâmica pode ser metafísico.

    Falando nisto, acrescentando mais um pouquinho de farinha metafísica no seu pirão, não nos consideramos donos da verdade. Me desculpe, mas tom de nossos discursos aqui mesmo, mostra claramente quem tem “absoluta certeza”, e quem partilha impressões e convicções pessoais. Na minha opinião, a Verdade é uma só. E pela ótica da fé cristã, a verdade é uma pessoa…

    E não, todas as culturas não “tem que ter” os mesmos valores que a minha. Mas você mesmo já deve ter percebido que todas as culturas possuem pontos comuns. Carregamos a mesma herança “mitocôndrial“. O que eu considero facilmente explicável haja visto que para a fé cristã compartilhamos os mesmos ancestrais. Nisto até quem é ateu acredita. Ora, se viemos dos mesmos ancestrais, porque é impossível que tenhamos valores inatos comuns? Embora as culturas sejam belas e diferentes, as semelhanças permanecem, são notáveis e na minha opinião, inegáveis.

    A ainda afirmo não apenas a respeito da Índia mas de qualquer civilização: Deixar de atribuir a vida valor universal inalienável é o primeiro passo para ruína e extinção de uma sociedade. Todos os demais horrores sociais são originados nisto.

    Não, não sei tudo que é ruim. Contudo, disse que a Sociedade pode individualmente aprender isto e corporativamente tomar posição a respeito.

    E por fim,bons conselhos são sempre bem vindos. Continuo estudando.

    Abraços

  • Josué disse:

    Por favor me indique aonde afirmei que o sistema de castas é legal. Acreditava estarmos tratando de costumes e tradições.

  • Josué disse:

    1- Com certeza você não entende o que é metafísica. Se entende, olhou para o lugar errado em sua argumentação.
    2-Mais metafísica.
    3-”Allah não é democrático”, que profundo!
    3-Não neguei as semelhanças entre as culturas, você que negou as diferenças.
    4-Com certeza todos tem POTENCIAIS valores inatos comuns, estes valores são criados pelos homens, não são naturais. As semelhanças costumam ser mais genéricas: religião, parentesco, etc ao invés de cristianismo, ancestrais paternos.
    5- A vida nunca foi valor universal inalienável em uma série de sociedades que existem até hoje, algumas inclusive que criam menos “horrores sociais” do que a nossa.
    6- Sociedade e individualmente normalmente não combinam
    Keep Trying!

  • Adriano (http://www NULL.estevam NULL.org) (Autor) disse:

    Mais um comentário cheio de certezas.=)
    Este é meu último reply a você. Acredito que já estamos entendidos.

    Você sugeriu que escrevesse a “Secretaria de Cultura” da India. Imaginei que para chorar as pitangas. Se não era isto que sugeriu, entendi mal.

    Os “atenienses não tinham bomba atômica”, mas Allah não pode ser democrático? Ora faça-me o favor..=D

    Abraços e apareça quando desejar.

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