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Quando fama e sucesso não andam juntos Categorias:
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Muitos de nós quando escolhemos este caminho de missões, sabíamos ao certo que nunca teríamos uma Mercedes ou moraríamos em uma mansão. Muitos até sabemos que nunca vamos ter outra casa além de uma choupana em alguma montanha, ou pedaço escondido de selva. O caminho missionário é um caminho de renúncias e sacrifícios. Até aí tudo claro na nossa mente. Mas e a fama, a notoriedade? Será que não nos frustramos muitas vezes porque outros que fazem menos que nós, adquirem notoriedade no corpo de Cristo e nós, ralando não somos bem conhecidos nem na nossa igreja local? Depois de quatro anos sem visitar a igreja, porque você estava sumido em algum canto no Oriente Médio, você volta, a igreja já está no segundo ou terceiro processo de divisão, o novo pastor não te conhece, e te apresenta meio constrangido, está aqui conosco o irmão… o irmão, como é seu nome mesmo irmão?? Ele pertence aquela missão… missão, chogum, é isto??

Não seria bom ser conhecido, sair nas revistas como um super-missionário, ser honrado pelo menos pela igreja? Me lembro de alguns anos atrás, onde íamos ninguém sabia o que era jocum e tinha dificuldade de pronunciar o nome porque parecia com ogum. Um dia o Gerson volta de uma de suas viagens e conta que a revista Time queria fazer uma entrevista de capa com o Loren sobre JOCUM, porque estavam impressionados com este movimento de jovens que não parava de crescer mas ao mesmo tempo requeria tanta dedicação e renúncia…E olha que na época ainda a missão não era nem a metade do que é hoje. O Loren orou e Deus disse não. Não? Deus você é doido? Recusar uma oportunidade desta?? Não foi você que abriu esta porta? As pessoas vão nos respeitar, as igrejas vão nos reconhecer e quem saber até doar mais… Mas Deus havia dito não, o Loren entendeu e seguiu o caminho do anonimato.

Até hoje o próprio Loren Cunningham, que é a pessoa na história da igreja de Cristo que mais mobilizou gente para missões, é relativamente desconhecido. Faz uma conferência com o Loren e outra com o Josué Yrion para ver qual dá mais gente… Um é o maior apóstolo dos tempos modernos, o outro prega contra a Disney e … bem deixa pra lá. Não ser reconhecido, não receber apoio de seus contemporâneos é um dos estigmas do apóstolo e do profeta. É só comparar o que foi a vida de Paulo e de Pedro no tempo em que viveram. Hoje nós sabemos que Paulo foi o maior apóstolo de todos os tempos e foi graças ao ministério dele que o evangelho chegou aos gentios. Mas na época deles, Pedro era o grande líder honrado e reconhecido, e Paulo um joão-ninguém implantando pequenas igrejinhas no meio de povos para quem os judeus não davam a mínima.

E não só isto, notoriedade não é nem algo que deveríamos desejar. Em nosso trabalho, quanto menos conhecidos melhor. Não é só uma questão de renúncia, é uma questão de estratégia e inteligência. Mais e mais vamos enfrentar perseguições principalmente na linha de frente, em locais estratégicos para o evangelho, Oriente Médio, China, Ìndia, Turquia, etc. e até entre os povos indígenas brasileiros, até hoje não gostamos de promover o trabalho que fazemos entre as tribos, porque isto nos trazia muitas perseguições, processo judiciais até.

Estive recentemente numa reunião na Holanda e ouvi o que Deus está compartilhando com a jocum sobre os mártires do movimento de igrejas em um grande país da Ásia. Até agora não tivemos mártires em nosso meio, mas como estamos abraçados a este movimento, vamos também pagar o preço com eles… Foi mais ou menos assim o “toque” que alguns lideres internacionais receberam de Deus. Ouvi a profecia e fiquei pensando em como somos excessivamente ingênuos quanto ao sigilo, aos códigos de comunicação correta que protegem aqueles que estão no campo, etc. Temos sido até agora muito “light” a este respeito. Igrejas divulgam exaustivamente nosso trabalho em países perigosos, em jornais, revistas, boletins internos. Até a Globo foi mais criteriosa que nós e deixou de divulgar a identidade de alguns dos nossos quando fez uma reportagem com eles. Ficamos alguns de nós até chateados quando ouvimos a reportagem e nosso “nome” não foi divulgado. Graças a Deus! Imagine se sai em cadeia nacional de televisão sobre nossa presença naquele país? Ao descobrirmos nossa identidade não estamos apenas colocando em perigo aqueles brasileiros que estão lá, mas também todo o trabalho da organização em outras partes do mundo, e o futuro de todos nossos projetos neste países.

É bom que saibamos também que não há forum seguro na internet. Ficamos sabendo que um exército famoso de um país visitou em um só dia 50 vezes nosso site internacional. Sem falar em rastreamento de e-mails, spyware, etc.

Vamos nos proteger e aos nossos irmãos? Divulgue a necessidade do sigilo a seu respeito e de seus colegas para seu grupo de apoio. E vamos tentar nos cuidar ao passar e-mails uns para os outros. Recebo e-mails de amigos em países fechados e fico apavorada com a “liberdade” que alguns tem para dizer o que fazem e em nome de quem. Se é que temos que sofrer martírio mesmo que seja por necessidade e a vontade soberana e não por ignorância. Fama e sucesso no mundo missionário não são o mesmo bicho…



  • missionnario wellingtondantas

    é muito importante vosso trabalho. gostaria de ter algunhas informasões sobre missões na turquia?

  • Alessandra

    Acho que realmente devemos ser os remadores do ultimo porão! São eles que fazem o barco funcionar e nunca são vistos e lembrados. A nossa glória não está aqui, não precisamos de reconhecimento de homens, a nossa recompensa está em Deus que tudo vê e jamais se esquece dos seus.