Violência na Nigéria

Violência na Nigéria
23 de março de 2010 Saulo Xavier

Onda de violência tem estourado recentemente na cidade de Jos, na Nigéria. Desde o dia 07 de março, mais de 500 aldeões, de predominância da tribo cristã Berom, foram mortos. De acordo com a rede de TV BBC, mais de 200 rapazes que falam as línguas Hausa e Fulani estão agora presos por conta desses ataques.

A JOCUM tem vários obreiros trabalhando na cidade. Todos eles estão a salvo, conforme informações dos líderes locais, Ansel Pronk e Anne Abok. Obreiros da JOCUM Nigéria, muitos deles, da área de Jos, estão traumatizados perante esses eventos. Ainda que nenhum Jocumeiro tenha morrido nos ataques violentos, vários amigos e amados irmãos estão desaparecidos.

A cidade de Jos está situada no Estado do Platô (Plateau State), no centro da Nigéria, a meio caminho entre o norte predominantemente muçulmano e o Sul de maioria cristã. A área fértil do platô traz muitos imigrantes à procura de trabalho. Os povos indígenas são cristãos oriundos principalmente de Berom, Afizere e Anaguta. Em contraste, os colonos imigrantes tem vindo de grupos muçulmanos Hausa do norte. Lutas por causa de terra entre esses grupos étnicos também tem assumido um caráter religioso, isto é, o povo Berom tem suspeitado das intenções dos Hausa e dos Fulani de tomar o poder e impor a lei islâmica Xariá na região do Platô. Um líder local islâmico, o Xeique Musa Zilani, discorda que a violência seja de caráter religioso e responsabiliza a tensão étnica pelos conflitos.

Jos tem um longo e terrível histórico de violência. Os relatórios contam que muçulmanos tem saqueado comunidades cristãs e que cristãos também tem atacado as comunidades de muçulmanos. Centenas deles já morreram e, esses crimes, tem sido motivados por questões de vingança e não fazem sentido aos espectadores inocentes que nada tem a ver com a situação, mas que tem sofrido com as consequências dela.

Muitas pessoas tem sido desalojadas pela crise e estão vivendo em campos de refugiados construídos às pressas pela Cruz Vermelha. As necessidades naquele local são enormes e a JOCUM tem ajudado a providenciar ajuda humanitária, bem como, o suprimento de roupas.

Anne e seu marido Alex trabalham com a Media Village da JOCUM em Jos, um ministério de treinamento voltado a áreas como a produção de video, por exemplo. Eles e sua equipe são alguns dos que nada tem a ver com esses conflitos. Eles tem estado trancados atrás das portas de suas casas, sem comida e estão racionando água. O som de tiros e as memórias dos ataques recentes tem ecoado em seus corações. Anne Abok relatou que a fé e as orações dos jovens de sua equipe tem lhe encorajado e lhe dado forças para liderar, pois, nessas circunstâncias, é preciso uma coragem sobrenatural – a coragem do Senhor. Eles também tem usado suas experiências na área de comunicação para documentar essa crise.

Eles entrevistaram um sobrevivente, que descreveu algumas das cenas terríveis que ele viveu durante os conflitos: “Eu consegui escapar com os meus dois filhos, mas minha esposa e minha filha foram mortas junto com a maioria dos membros da congregação. Noventa cadáveres estão na minha vila nesse momento e nós não temos relatórios daqueles que morreram no hospital lá em Jos”.

No ano passado, Alex terminou a Escola de Fotografia Digital, na Media Village da África do Sul. Ele saiu com a paixão de poder usar sua câmera para capturar imagens que possam comunicar o coração de Deus para um mundo perdido. Ele não podia imaginar que, dentro de poucas semanas, e iria olhar por entre as lentes de sua câmera e dar de cara com imagens de terror, dor e perseguição.

Alex usou as lentes de sua câmera para contar essa história nos instantes que o obturador levou capturar essa imagem dolorida. É uma imagem de mães, pais, filhos e filhas – nossos irmãos e irmãs em Cristo.

Uma única imagem pode nos deixar inquietos, desconfortáveis e muito preocupados. Por um instante, eu imagino a dor no coração de um Pai que sabe o nome de cada pessoa. Se Ele sabe quando um pardal cai do céu, que dirá quando essas crianças passam por tudo isso.

Por favor, continuem orando:

  • Pelos jocumeiros da Media Village e da Cidade de Refúgio (City of Refuge), em Jos. Ore por proteção e por ajuda terapêutica que os ajudem a responder saudavelmente aos traumas.
  • Por voluntários e também por ajuda humanitária.
  • Pelos cristãos locais que estão lutando contra o difícil problema de saber quando é certo defender a própria terra e os seus próprios pertences. Orem para que eles tenham sabedoria para saber quando responder e a graça de Deus para não revidar.
  • Por pacificadores em cada grupo étnico e fé e pelo fim do ciclo constante de ira e violência.
Casado com Daniela e pai de Laura, Saulo é jornalista, intérprete de Libras e tradutor.

1 Comentário

  1. Valdecy Alves 7 anos atrás

    Olá!

    Recentemente o Instituto Sangari publicou estudo sobre a violência nos últimos 10 anos no Brasil. Dados alarmantes, que demonstram que a violência que nos assusta no local onde moramos é um fenômeno nacional. O QUE ESTÁ ACONTECENDO? ALGUMAS REFLEXÕES? QUAL O PAPEL DE TODOS? Leia! Divulgue e deixe seu comentário:
    http://www.valdecyalves.blogspot.com
    Veja um vídeo do qual participei comentando sobre a violência na mídia:
    http://www.youtube.com/watch?v=ljsdz4zDqmE
    FELIZ PÁSCOA PARA TODOS

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